Descartógrafos/ Recartógrafos

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O trabalho “Descartógrafos”, de 2008, do coletivo e/ou de Curitiba (Claudia
Washington, Lúcio Araújo e Newton Goto), é uma desconstrução da cartografia
convencional. Cria novos signos e símbolos, possíveis somente pela experiência
cotidiana do/no espaço.

A partir de uma plataforma convencional – uma carta topográfica da região feita pelo IPPUC (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba), exposta a livres intervenções na galeria subterrânea do Terminal de ônibus do Pinheirinho – foi construído um mapa coletivo com inscrições dos sujeitos que transitam e “habitam” este lugar de passagem. Tais
intervenções no mapa constroem uma memória coletiva do lugar e evidenciam
diferentes contextos sociais e subjetividades.

Emergem da psicoesfera conteúdos íntimos e pessoais socializados na materialidade do mapa. Um mapa em processo, em movimento. Uma segunda etapa do trabalho levou os artistas do e/ou a campo para investigar-mapear espaços anotados na “descartografia” realizada pelos sujeitos passantes. “Recartógrafos”, projeto realizado em 2010, é uma cartografia de uma realidade pulsante, dinâmica, e não mapeada, que torna visível o invisível. Surgiram anotações de lugares como o Pequeno Espaço, lugar não mapeado no mapa oficial, mas onde residem (descobriram os descartógrafos depois) quase 300 pessoas, uma pequena comunidade. Esta cartografia processual, relacional e coletiva, neste caso, tornou visíveis aquelas existências.

Segundo o coletivo[1] o artista pode pensar cartografias e pode pensar o urbanismo, acrescentando conteúdos e contribuindo para uma reflexão sobre o espaço, já que estão abertos a outros referenciais simbólicos e subjetivos. O mapa, nesse sentido, não é um
registro gráfico somente, mais do existir. Construir conhecimento a partir do lugar e do cotidiano que oportuniza o empoderamento. A função do mapa é de síntese não fotográfica do humano, é encontro e lugar de subjetivação. Lugar-encontro de ampliação do território subjetivo e afetivo.

Uma questão importante sobre este projeto é que ele assume as relações entre arte e geografia convidando para esta segunda etapa “Recartógrafos” um artista do Rio de Janeiro, Giordani Maia – que tem no seu trabalho o uso de mapas como estratégia de negociação no espaço público (em especial com comerciantes)- para desenvolver um trabalho que se chamou “Seu traçado” em que solicita às pessoas que desenhassem numa folha em branco como chegar e determinado lugar. Convidam também um geógrafo Álvaro Luiz Heidrich (da UFRGS – Universidade Federal do Rio Grande do Sul)especialista em
territorialidades para tecer trocas e reflexões sobre o processo cartográfico
do grupo, e Tânia Bloomfield que é artista e, também, mestre e doutora em
Geografia. Realizaram um encontro[2] “histórico” em que todos os participantes estavam presentes e discutiam o mesmo trabalho. Ficou claro como ambas as áreas têm muito que trocar e aprender entre si.


[1] Entrevista/conversa com o coletivo e/ou disponível no blog
Cartografias on line.

[2]a Mesa Redonda Recartógrafos
ocorreu  no dia 14 de abril de 2010 no auditório da UFPR Departamento de Artes
Visuais integrando o Projeto Artista na Universidade . A gravação da mesa pode
ser acessada no site http://e-ou.org/?p=103.

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