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Arquivo da tag: práticas colaborativas

A oficina realizada setembro em Curitiba contou com uma participação diversa: além de artistas e estudantes de arte, arquiteta, engenheiros cartógrafos, economistas, atriz… Muito rico para trocar, pensar, agir com foco em cartografias, práticas artísticas e novas tecnologias.

Os mapas, imagens, vídeos, áudios produzidos durante a oficina pelos participantes estão disponíveis no blog criado coletivamente www.nomapas.wordpress.com

Abaixo uma documentação poética da oficina com imagens dos participantes e do Pedro Giongo, que também fez a edição.

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http://e-ou.org

 

O trabalho “Descartógrafos”, de 2008, do coletivo e/ou de Curitiba (Claudia
Washington, Lúcio Araújo e Newton Goto), é uma desconstrução da cartografia
convencional. Cria novos signos e símbolos, possíveis somente pela experiência
cotidiana do/no espaço.

A partir de uma plataforma convencional – uma carta topográfica da região feita pelo IPPUC (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba), exposta a livres intervenções na galeria subterrânea do Terminal de ônibus do Pinheirinho – foi construído um mapa coletivo com inscrições dos sujeitos que transitam e “habitam” este lugar de passagem. Tais
intervenções no mapa constroem uma memória coletiva do lugar e evidenciam
diferentes contextos sociais e subjetividades.

Emergem da psicoesfera conteúdos íntimos e pessoais socializados na materialidade do mapa. Um mapa em processo, em movimento. Uma segunda etapa do trabalho levou os artistas do e/ou a campo para investigar-mapear espaços anotados na “descartografia” realizada pelos sujeitos passantes. “Recartógrafos”, projeto realizado em 2010, é uma cartografia de uma realidade pulsante, dinâmica, e não mapeada, que torna visível o invisível. Surgiram anotações de lugares como o Pequeno Espaço, lugar não mapeado no mapa oficial, mas onde residem (descobriram os descartógrafos depois) quase 300 pessoas, uma pequena comunidade. Esta cartografia processual, relacional e coletiva, neste caso, tornou visíveis aquelas existências. Read More

http://www.wikinarua.com/

Wikinarua é um projeto inovador que utiliza software com GPS e bússola criado na Universidade de Brasília. Mostra-se uma ferramenta muito eficaz na mobilização de comunidades. Configura-se como uma rede social que pode ser acionada com dispositivos móveis, celulares com tecnologia de Realidade Urbana Aumentada (RUA).

É possível baixar facilmente este software com uso do aplicativo Android, vinculado ao Google. Assim, permite-se que as pessoas em qualquer lugar do país possam participar desta comunidade virtual organizando conteúdos no mapa como imagens, sons, textos, audiovisual, inclusive rádio. A tecnologia de Realidade Aumentada traz conteúdos on line para o espaço real. Ou seja, apontando o celular para determinado ponto na cidade (demarcado no mapa wikinarua) o software funde numa mesma imagem, dados reais e informações computacionais, em tempo real.

A ideia é que o projeto oportunize a comunicação entre comunidades, inclusive as que podem estar isoladas, como indígenas e quilombolas, e fomenta a participação no contexto urbano. Uma rede social que cria uma cartografia colaborativa com enfoque direcionado para arte e comunicação, o que é original, pois ainda não há um projeto com este direcionamento no Brasil.

Selecionado pelo programa Laboratórios de Experimentação e Pesquisa em Tecnologias
Audiovisuais – XPTA.LAB do ministério da Cultura, é uma parceria entre a Universidade
de Brasília (UNB), a Universidade Federal de Goiás (UFG) e a Universidade Federal
do Piauí (UFPI). É um projeto interessante que tem uma abertura para outros que
envolvem jogos e aplicativos para celular, PC e que podem se utilizar do
sistema Wikinarua.

http://www.tecnologiadormente.com/carijos

 

Ma Memorial Dinâmico – Estação Ecológica Carijós, de 2008, coordenado por Yara
Guasque teve colaboração de Hermes Renato Hildebrand, Silvia Regina
Guadagnini e Fabian Antunes Silva. É um projeto de arte e tecnologia que
estimula a coleta de dados sobre manguezais da região de Florianópolis, o
Manguezal Ratones, na Estação Ecológica Carijós e a Reserva Olandi. O que se
projetou em teoria é bem mais amplo do que de fato ocorreu, pois ao lidar com
novíssimas tecnologias (a ideia de um sistema embarcado para coleta de dados
físicos), áreas de preservação e participação comunitária, uma série de
acontecimentos ao longo do projeto geraram novas configurações.

“O projeto convida a participação pela internet de grupos interessados em levantar
os dados da região e propõe ações performativas no mundo físico, a pretensão de
tornar os participantes mais conscientes da região onde vivem. (…) O projeto
é uma chamada para a consciência e apropriação do espaço, paisagem que não é considerada pela população e tem sofrido muitos danos ambientais.”(para mais informações
ver http://ciberestuariomanguezais.ning.com)

É proposto um jogo pervasivo para a coleta de dados com a possibilidade de
uso de mídias locativas e tecnologias móveis. Usa-se a internet como
repositório das coletas no espaço concreto ampliando o espaço de socialização
da informação. O aspecto do projeto que gostaríamos de ressaltar é a criação de
um mapa a partir de fontes diferentes (da cartografia convencional, do Google
Earth e da experiência dos participantes no espaço do manguezal), para a
visualização de dados coletados. Neste mapa são disponibilizados vídeos e fotografias
realizados no Manguezal Ratones que podem ser visualizados simulando uma navegação numa embarcação.

http://aqi.unb.br/

O projeto Aqi,, lançado em abril de 2011, coordenado por Tiago Lucena, é uma criação de
plataforma computacional que une plataforma web e aplicativo para celular.

Vinculado ao Projeto Narrativas Emergentes em Vida Urbana Misturada,
integrante do Projeto Wikinarua, o projeto foi desenvolvido no LART- Laboratório
de Pesquisa em Arte e Tecnociência do FGA-Gama, sob a orientação de Diana
Domingues e financiamento do MINC XPTA Lab Cinemateca. Tem a base do Google,
maplink e aplicação móvel desenvolvida para celulares com plataforma Android.

Por meio deste o usuário pode inserir conteúdos, produzidos no próprio espaço urbano que
são geolocalizados e inseridos no site. A partir destes conteúdos, que podem ser textos, vídeos, fotografias, outros usuários podem acrescentar informações colaborativamente. A intenção é permitir a criação de narrativas urbanas, fruto da experiência no espaço com o suporte web e as ferramentas das tecnologias móveis. As pessoas que tiverem este aplicativo no celular serão avisadas quando estiverem em lugar próximo a um ponto do mapa, assim têm acesso à informação inserida no mapa e podem interferir, acrescentar, interagir com ela. Tal característica evidencia um aspecto caro à arte e à tecnologia hoje, a
integração entre espaço físico e ciberespaço, o que é chamado de espaço
cíbrido, híbrido ou intersticial. Corresponde a esta conexão entre o espaço e
as camadas de informação presentes no ciberespaço.

Como exposto no site: “Lugares possuem histórias. Cada esquina, cada árvore e cada
prédio podem guardar um elemento importante na vida de alguma pessoa. Passear
pela cidade contando suas histórias, inventando outras, lembrando dos fatos
ocorridos em determinadas ruas, criticando problemas no seu bairro são ações
que podemos fazer usando um aparelho celular.”


 

Trivilialidades do ser urbano (2009) é um projeto experimental que se utiliza do
Wikimapia como plataforma colaborativa de criação. Neste trabalho o artista e
pesquisador Tiago Franklin Lucena propõe uma reflexão sobre as geotags subjetivas, que se contrapõem as geotags comerciais cujos referenciais são orientados para o consumo no/do espaço cotidiano. Nele, foram mapeados acontecimentos banais do cotidiano, trivialidades como diz o nome do projeto, como também dados ficcionais que compartilham intimidades.

Este projeto evidencia que cartografias colaborativas construídas por esta plataforma precisam ter dados consensuais para que existam. Para que uma tag
fique permanente no mapa precisa ser aprovada por mais de cinco usuários.

Desta forma, o artista mobilizou um grupo para que suas intervenções no mapa persistissem e fossem consideradas como relevantes. De qualquer forma, percebemos que se trata de um trabalho efêmero, uma intervenção na web, visto que os itens taggeados,
podem parecem uma vandalização para alguns olhares, já que dão relevância para
o que é absurdamente banal, como o “lugar onde meu cachorro fez cocô”. O
artista questiona o caráter colaborativo destes mapeamentos na internet, cujos
referenciais vão sumindo quando não são consideradas relevantes para um grande
numero de pessoas.

http://megafone.net/SAOPAULO

Projeto Canal*Motoboy do artista catalão Antoni Abad, do grupo Zex.

São vários os projetos pelo mundo que em sua versão paulista abre um campo de diálogo e
trocas com os motoboys e os demais habitantes. Profissão que nesta cidade tem
uma profunda contradição: a necessidade da rapidez de fluxos dos objetos e a
viscosidade dos seus trajetos. Os motoboys sofrem de grande incompreensão, quando não
desprezo, por parte da população, assim como outros atores que Abad trabalha,
como os taxistas na Cidade do México.

No site, partindo de uma base cartográfica do Google, foi criada uma plataforma para o
projeto. Assim, os motoboys emissores (como são chamados os participantes) adicionam imagens capturadas por celular dos seus trajetos cotidianos.
Estas informações são organizadas nas categorias ambiental, dia-a-dia e
palavras, como também por tags.
É uma forte visualidade do cotidiano e dos riscos da profissão. Como também
demonstra que eles têm relação e fruição diferenciada com a cidade, em
velocidade constante.

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